L. Wesley's COMMUNITÀS

Blog pessoal dedicado ao exercício dos dons da liberdade, da razão, da experiência e do afeto na caminhada.

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Ora, o que me importa ser senão UM BOM AMIGO NA JORNADA?

Sábado, Março 17, 2012

DAS LÁGRIMAS QUE GOSTO


Gosto das lágrimas
Que fluem do profundo
Do meu desespero.
Elas me fazem ver quem realmente sou
Molham meu chão tão árido
E me brotam de novo.

Me dobro às lágrimas
Que fluem do profundo
Das músicas que já dancei.
Elas me fazem lembrar do que posso esquecer
Enraízam no mais profundo de mim
E me aprumam na jornada.

Amo as lágrimas
Que fluem do profundo
Do amanhecer da minha inspiração.
Elas me fazem ter esperança no que pode ser
Infundem vida no que quer morrer
E me acendem outra vez.

Adoro as lágrimas
Que fluem do profundo
Do meu Mar libertador.
Elas me fazem desejar que este Mar me envolva
Mergulham-me para o mais generoso afogamento
E me visitam cheias da Graça.

(LWS)




Quarta-feira, Fevereiro 29, 2012

Filosofia e Espiritualidade: Morte do Bispo Robinson Cavalcanti e esposa é uma ...

Filosofia e Espiritualidade: Morte do Bispo Robinson Cavalcanti e esposa é uma ...: Na noite do domingo, 26 de fevereiro de 2012, faleceu tragicamente o bispo anglicano Robinson Cavalcanti e sua esposa Mirian, ambos aos 64 a...

Segunda-feira, Fevereiro 27, 2012

Robinson Cavalcanti (1944-2012)


O dia que termina dentro de mais duas horas foi triste, cheio de lamento e dolorido, ao mesmo tempo em que neste lamentável dia fui capaz que encontrar caminhos de gratidão à medida em que revisitei longas e inspiradoras memórias.  Logo pela manhã recebi a inacreditável notícia do assassinato, nesta madrugada, em Recife, de bons amigos — o Bispo Robinson Cavalcanti e a esposa, Miriam Cotias Cavalcante.  Eles foram mortos pelo próprio filho de 29 anos, que acabara de ser deportado dos EUA sob acusação de roubo e consumo de drogas.  Para nós que o conhecemos pessoalmente desde a segunda metade dos anos 70, o Bispo Cavalcanti representou o que há de melhor num movimento do qual faço parte desde a época: o Movimento de Missão Integral (também conhecido como "Teologia de Missão Integral").  Perda trágica e irreparável para a igreja no Brasil, particularmente para aqueles que abraçamos um evangelho feito pra ser integral e relevante, que não faz dicotomia entre proclamação e transformação social.  (Luís Wesley)

"O grande risco é você morrer e ninguém notar, 
porque você não tomou decisões.”  
Robinson Cavalcanti 
(1944-2012)


Quinta-feira, Outubro 20, 2011

"I love you so much!"



Ontem, logo após o término do culto na magnífica Cannon Chapel da Emory University, caminhava em direção à saída do templo quando algo me tocou forte na região lombar direita.  Virei-me para ver e lá estava o Bispo L. Bevel Jones III, com seus mais de 90 anos e já curvado pela idade, apoiando-se com uma mão na cadeira ao lado e, com a outra, estendendo, o mais que podia e quase ao ponto de desequilibrar-se, sua famosa bengala de marfim. 

Instintivamente, andei os dois passos que nos distanciavam e dei-lhe um abraço cuidadoso em face da idade, dos problemas de saúde e da queda que teve há alguns meses, na qual quebrou alguns ossos da perna, dos braços e da bacia.  “I love you so much, Wesley!”, ele me disse pausadamente e sem desviar o olhar.  “I love you, too, my dear Bishop!”, respondi com convicção e prontidão, tentando esconder a surpresa que ele, uma vez mais, me causara, e conter as lágrimas que já ameaçavam acumularem-se nos meus olhos. 

Não foi a primeira vez que ele me falou do seu apreço por mim.  Em 2004, quando cheguei na Emory para fazer o pós-doutorado, sem sequer ter me encontrado antes, O bispo Jones foi o primeiro a me cumprimentar numa das minhas rápidas saídas pelos corredores da Candler School of Theology.  Ele me chamou pelo nome sem que eu o tivesse mencionado; queria saber como eu estava, se me faltava algo, como poderia ajudar, etc. 

Não o conhecia previamente e, portanto, não fazia nenhuma ideia de quem se tratava.  Perguntei-lhe pelo seu nome, e ele disse apenas “Bevel”.  “Grato, Mr. Bevel.  Prazer em conhece-lo!”, respondi prontamente.  Como me intrigou a sua abordagem, busquei saber quem era o tal “Bevel”.  Procurei nos catálogos e descobri, fascinado, que se tratava de um dos ícones do metodismo contemporâneo do sul da América.  Mais tarde soube que ele participou no processo da minha seleção para o pós-doutorado.

Suas histórias são fabulosas e boa parte delas são contadas em sua autobiografia intitulada One Step Beyond Caution: Reflections on Life and Faith (Um Passo Além da Precaução: Reflexões Sobre Vida e Fé).  Graduou-se em escolas famosas e publicou vários artigos em jornais e periódicos religiosos, além de ser um dos bispos em residência na Emory e de ainda atuar como assistente especial na área de desenvolvimento da Candler, à esta altura por décadas.  É admirado nem tanto pela importância que teve e tem no quadro do movimento cristão ecumênico, mas pela capacidade de enxergar as pessoas, de ouvir suas histórias, de falar ao coração delas, de ir além da tolerância discursiva, e de vir com as palavras precisas, nos momentos certos, no tom correto, e nas formas apropriadas. 

Desde o início de seu ministério, tornou-se uma referência do movimento liberal e, certamente, esta opção o fez sofrer os mais diversos preconceitos provindos do mundo evangelical metodista e até além do próprio metodismo.  Afinal, para aqueles que se definem possuidores de reta doutrina, os "liberais" são pseudo-cristãos, desprovidos de Evangelho, não-espirituais, desviados do que se costuma classificar de "bases bíblicas", secularizados, indiferentes, frios e sem expressão de afeto.  Não é verdade!  Vi todas estas desqualificações -- e ainda outras piores! -- em alguns líderes eclesiásticos que conheci de perto, incluindo conservadores e carismáticos, progressistas e puritanos, evangelicais e libertadores.

O Bispo Jones teria tudo para desenvolver aquela insuportável empáfia episcopal facilmente observada nas relações puramente eclesiásticas, institucionais e hierárquicas, mas foi humilde e maduro o suficiente pra não tomar este caminho.  Preferiu continuar tocando pessoas, estando com elas, sendo como elas, e dando sentido ao que é mais importante e vai muito mais aquém e além das relações eclesiásticas: o afeto eclesial em torno da mesma Cruz, o senso comunitário simples e desprovido de motivação político-eclesiástica e ideológica.

Quando nos despedimos, não pude dar um só passo sem pensar a respeito da sua atitude e palavras.  O que primeiro me veio à mente foi que não nos custa nada sermos afáveis e encorajadores, e manifestarmos o apreço e o cuidado por alguém que pode parecer não significar nada e não passar de uma ameba, se comparado a autoridade ética, moral e eclesiástica como a que possui o Bispo Jones. 

O segundo pensamento surgiu de algumas das minhas memórias de experiências negativas de passados não tão remotos.  Os status quo eclesiásticos ou societários, aqueles das capas episcopais, das togas acadêmicas, das camisas clericais ou dos anéis de graduação, não deveriam jamais levar pessoas de carne e osso a se tornarem arrogantes, agressivos, centrípetos, geradores de dependência, controladores, abusivos e autoritários. 

Dentre as coisas que aprendi deste reencontro com o notório afeto do Bispo Jones, está a de que liderança cristã nada tem a ver com borra eclesiástica que redesenha o caráter e a personalidade, e dela não se deveria extrair energias relacionais.  Como líder quero desenvolver a arte de expressar apreço e deferência, além de respeito e consideração, afeto e encorajamento, enquanto mantenho minha mente crítica e alerta, e meu coração aberto e transparente.  Mais que tudo, quero ser capaz de amar mais do que sou amado, de desenvolver a arte de me esvaziar e dizer, sem titubeio, olhando nos olhos de quem precisar ouvir, “I love you so much, brother/sister!”

Luís Wesley

Sexta-feira, Setembro 23, 2011

O "Troy Davis" que somos todos!


Conquanto compartilhe da tristeza do todos em relação ao insensível assassinato do policial americano Mark MacPhail (foto ao lado), em 19 de agosto de 1989, penso que executar Troy Davis (foto abaixo), com todas as dúvidas existentes sobre sua culpa, não é a resposta.  E, definitivamente, não se fez justiça!

Sem qualquer evidência de DNA, e, uma vez que, com o passar do tempo, testemunha após testemunha se retratou do depoimento dado anteriormente -- algumas afirmando, inclusive, que houve coersão e ameaça por parte de policiais e investigadores --, é inadmissível e vergonhoso que o Conselho Estadual de Indultos e Liberdade Condicional da Geórgia não viu nisso motivo suficiente para adiar a execução de Troy Davis.  

O adiamento teria dado às partes a faltante oportunidade de examinarem, exaustivamente, todas as novas peças de evidência.  A verdade, nada menos e nada mais do que a verdade, é que deveria ter decidido o destino de Troy Davis, e não a unilateralidade dos cinco membros com assento naquele Conselho.  Afinal, o que estava em jogo não era uma condenação qualquer, mas a pena de morte, cujas bases eram duvidosas o bastante para ser repensada e revista!

Decisões como esta, uma vez mais, nos fazem pensar: É justiça sendo feita, ou se trata apenas daqueles que são minoria, dentre estes os negros, os imigrantes, os excluídos, os indefesos, enfim, os “Troys Davis” que somos todos, correndo o risco de sermos acusados indevidamente e acabarmos num corredor da morte?

Colha-se disso tudo algumas lições.  Dentre elas a de que, muito além e mais profundo do que a "justiça" humana propõe, via assassinato legal ou ilegal, está o pecado que nos fez perder a sintonia com os propósitos de Deus na criação.  Aprenda-se também que a pena de morte é mais uma das horrendas expressões desta dessintonia causada pelo pecado, e jamais deveria ser abraçada por aqueles que cremos no Deus da vida!  E, particularmente no que tange a aqueles que vivemos nos EUA, não nos esqueçamos desta outra lição adicional: apesar de a justiça americana ser uma das mais pontuadas e respeitadas do mundo, ela jamais foi e jamais será perfeita.

Troy Davis não foi o primeiro a ser executado sem que se tivesse a certeza absoluta e inequívoca de que ele tenha sido mesmo o autor do crime, e pode muito bem não ter sido o último!

LWS

Quarta-feira, Setembro 07, 2011

Ah, se não fosse a Globo!

"[Ah!,]* se não fosse a [Rede] Globo e a Globo News como fonte de informação [única, acuradíssima, soberana, inesquecível e inquestionável!]. [O] que nós, [plebeus,] reles mortais ignorantes, saberíamos? Hoje, por exemplo, [veja só!] aprendi que o 11 [de setembro de] 2001 foi "o maior atentado terrorista da história". [What?!?!]


E eu que pensava que o[s] maior[es] [foram o holocausto e] as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. Mas, claro que [os 10 milhões de judeus perseguidos e mortos por Hitler e o seu Nazismo, ou mesmo os] 220 mil japoneses que morreram na explosão -- sem contar os que morreram pela radiação -- são [bem] menos que os 2.996 estadunidenses que morreram nas Torres Gêmeas [pelos quais, by the way, também choramos e com as famílias dos quais também nos solidarizamos!]


[Ah, Rede Globo que há muito tenta me fazer de bobo!]"


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(SE CONCORDOU, cole no mural da sua mídia social!)


*Todas as partes entre colchetes são adições ao texto original feitas por Luís Wesley. A autoria do texto original é anônima.

Terça-feira, Agosto 16, 2011

"Meu filho não merece nada"


A crença de que a felicidade é um
direito tem tornado despreparada
a geração mais preparada.

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.


Por Eliane Brum*
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*Eliane Brum escreve às segundas-feiras na Revista Época)

Sábado, Agosto 13, 2011

Oração de sábado, 13 de agosto de 2011


Senhor Deus, "Fiel e Verdadeiro" (Apocalipse 19:11), me prostro diante de Ti neste dia em louvor e adoração. Grato, Senhor Jesus, pela vitória que ganhas-Te, pela a vida que vives-Te, e pelo nome que só o senhor possui. Habita em mim pelo Teu Espírito hoje, Te peço, e que a minha vida possa trazer glória a Ti, que eu seja fiel e verdadeiro. Amém. (Por Howard Snyder, tradução de Luís Wesley de Souza)

Domingo, Julho 24, 2011

Fez tudo isso e tá de bem com a vida?

SE SIM, JUNTE-SE A MIM E MANDE O PESSOAL
DOS NOVOS PARADIGMAS LAMBER SABÃO!

Você foi criado comendo sanduíche de mortadela e doce de abóbora em formato de coração, e consumia fritura feita em banha de porco quase todos os dias?

Brincou na terra, furou o pé num prego, nadou no riachinho da vila ou do campo, apanhou quando fez coisa errada e até quando não fez coisa tão séria assim, e ainda por cima costumava responder educadamente “Sim, senhor", "Sim, senhora", "Sim, mamãe” e “Sim, papai”?

Viveu nos tempos da Telefunken de válvula, esperava minutos até a imagem aparecer, tinha apenas três canais e absolutamente nenhuma coisa fantástica tipo “controle remoto”, chegou a assistir TV em branco-e-preto com tela sobreposta em três cores — azul, amarelo, e verde — sem pensar demais se era real ou não, Bombril era indispensável para a sintonia da antena, e o botão giratório de mudança de canais soava como uma metralhadora em pleno combate?

Assistiu Tuel do Tempo, Terra de Gigantes, Perdidos no Espaço, Daniel Boone, Jeannie é um Gênio, Durango Kid, Nacional Kid, Batman e Robin e Os Três Patetas?

Sua escola começava com o hino nacional, as lojas se fechavam no domingo, e só sobrava a "queimada" ou o futebolzinho de rua com bola de plástico colorida e traves feitas por duas pedras ou dois chinelos?

Usava lápis e apontador, e só conhecia caneta Bic que, tirada as tampas das extremidades e a carga de tinta, se transformava numa “bazuca-de-casca-de-laranja”, sempre com o desejo oculto de lançá-la na traseira daquela professora implicante?

Fez avião de papel, algumas de suas bolas foram parar no telhado ou no terreno do vizinho "crica" que deixava o cachorro solto, jogou futebol de meninos contra meninas e ainda com bola murcha?

Saía correndo imitando supostos gritos de índios selvagens, enquanto interrompia o som batendo repetidamente a palma da mão na boca?

Usou Bamba, Conga, Kichut, Rainha e All Star, e alguns dos seus pares de sapato eram feitos no sapateiro?

Gravava as paradas de sucesso diretamente do rádio e em fita cassette, falou em telefone de fio e de disco, e pra fazer ligação interurbana tinha que obter o auxílio da telefonista?

Bebeu água da bica usando a concha da mão, alguém sempre lhe dizia que tomar leite e comer manga fazia mal e podia até matar, e não deixavam você entrar na piscina por mais de duas horas após o almoço porque dava congestão?

Se apaixonou ainda na infância ou na tenra adolescência, brincou na lama e na chuva com o "objeto" de sua paixão, estremeceu e sentiu o seu interior se aquecer apenas por terem trocado olhares ou dado as mãos pela primeira vez, e depois nunca mais viu esta pessoa?

Fez ou viu seu amiguinho fazer pandorgas de papel jornal, fez ou viu sua amiguinha fazer bonecas de sabugo, subiu em árvores e despencou de cima de algum muro, pulou janelas, e roubou adesivos de carros pra fazer coleção?

Fazia buracos com prego numa madeira, tirava o prego, enchia os buracos de pólvora retirada de fósforos, devolvia o prego no início de cada buraco e martelava com toda força só pra ouvir o estalo e conferir o estrago?

Estourou de traques a bombas "de 200" — aquelas que enchiam a palma da mão e todo mundo queria! —, soltou foguetes sem perder os dedos, colocava bombas "de 100" debaixo de latinhas de leite condensado ou de massa-de-tomate só pra ver o quanto subiam e quão gordinhas elas voltavam, e as "de 200" em latões de lixo dos vizinhos?

Andou de bicicleta sem freio ou com freio de pedais retroativos, caçou passarinho com estilingue e fez guerras de mamonas, e se aproximou de uma vaca por trás pra puxar-lhe o rabo e depois saiu em desesperada-disparada sob a risada dos seus “mui-amigos”?

Não tinha a mínima ideia do que viria a ser PC, Apple, laptop, iPhone, iPad e iPod, e "CD" eram apenas as duas primeiras das três letras da abreviatura de um adjetivo terminado com "F" que dávamos aos nerds?

Ouvia e cantava Bee Gees, The Beatles e The Rolling Stones sem entender nem 5% das letras das músicas, e ainda curtiu a "velha guarda" com Vanderléia, Vanderley Cardoso, Vanusa, Roberto e Erasmo, além de hinos religiosos tradicionais cantados sob o olhar conferidor de alguma velhinha da igreja?

Teve inúmeros bichos de pé, teve aulas suspensas por causa de epidemia de piolho, perdeu um amigo seu n'alguma epidemia de meningite, pisou em caca de cachorro, deu topada em poste, martelou o próprio dedo, teve unha encravada, terçol, caxumba, catapora, sarampo, febre de 40 graus, etc?

Ora... se fez ou experimentou ao menos 90% destas coisas todas e ESTÁ DE BEM COM A VIDA E CONSIGO MESMO(A), junte-se a mim e mande o pessoal dos novos paradigmas lamber sabão!

Luís Wesley

Quarta-feira, Julho 20, 2011

Isso, mas também aquilo...

PROCURO não somente ser racional, mas também alguém que colhe o melhor da experiência; contemplativo, mas também engajado; objetivo, mas também reflexivo; discreto e educado, mas também ousado e impetuoso; líder via academia, mas também líder via experiência prática; um pensador à busca de profundidade, mas também um estrategista pragmático; intenso, mas também consensual; elaborador inteligente, mas também alguém que faz contato emocionante e relevante; intuitivo, mas também pesquisador; silencioso e solitário, mas também "vernacular" e companheiro; crítico, mas também encorajador; firme e franco, mas também terno e brando; exigente, mas também generoso; apascentador do coração, mas também líder à busca de excelência; íntegro, mas também integral e integrado; teólogo e missiólogo, mas também articulador multi-disciplinar e compreensível...
LWS

Sexta-feira, Julho 08, 2011

Críticos...

Como é desapontante e vergonhoso dar-me conta de que fico apenado de mim mesmo quando sei que o X e o Y não gostaram da minha pregação. Minha alma se rende e se acalma, entretanto, quando trago à memória de que todo o alfabeto, de A a Z, rejeitou a mensagem do meu Mestre.
LWS
www.luiswesley.blogspot.com

Segunda-feira, Junho 20, 2011

Música no contexto cristão consumista


Que me desculpem
os músicos das paradas
de sucesso superficiais
e consumistas da fé,
mas imaginação poética,
integridade teológica,
espiritualidade integral
e arte integrada
à missão da igreja
são fundamentais!

Se dependesse daqueles que, como eu, buscam criatividade poética, sobriedade, serenidade, calma, profundidade, relevância e desejos contidos na letra, melodia, teologia e interpretação de uma canção, poucas músicas evangélicas ganhariam um Grammy cristão. Me cansei há muito desse "retão" (digamos assim por falta temporária de outra expressão) atordoante, cansativo, raso, repetitivo, gerador de ansiedade, desorientador, esmagador, alienado do contexto, e quase desprovido de imaginação poética e de conteúdo pedagógico para a vida.


A chamada "música gospel" brasileira, com raras exceções dentre os artistas que dela fazem parte, tem se dado ao tipo de teologia que gera exaustão espiritual e amnésia missionária. Grande parte das músicas utilizadas no louvor e adoração das igrejas evangélicas demonstra que a igreja pode estar perdendo -- se já não perdeu! -- seus rumos teológicos e missionários. Além disso, em muitíssimos casos, tais músicas e a aplicação que se dá à elas no contexto do louvor e adoração drenam a alma da gente, ao invés de nutri-la, de inspirá-la, de encharca-la com entendimento sobre o que significa relacionar-se com um Deus que se revela muito mais e com mais frequência através dos ventos cicios e tranquilos, do que pelas ventanias das expectativas cenógrafas, coreógrafas e alopradas do cristianismo consumista.


O mercado consumidor da fé precisa que a música seja "ungida", i.e., que venha repleta de poderoso tesão-espiritual, do tipo que seja bom o bastante para gerar uma espécie de prazer espiritual-orgástico. É muito comum que tal estado de êxtase espiritual resulte em relaxamento missionário, em pouca ou nenhuma seriedade num serviço cristão que se extenda ao mundo que sofre dores atrozes, injustiças sociais, fome, sede, exclusão e desesperança. Frequentemente, esta experiência de êxtase se traduz em espiritualização de tudo e, é claro, em alienação da realidade que cerca a igreja e os que dela fazemos parte.


Não ignoro o fato de que as pessoas hoje, como em outros tempos e contextos passados, experimentam a Graça divina de formas diferentes. A própria Graça é multifacetada e não encontra limites nem no caminho, nem no alcance, nem na forma, e nem no estilo. O que me preocupa e desconforta, contudo, é a intencionalidade com que a teologia prática resultante das canções populares evangélicas se tornaram pretenciosas, exigentes e mandonas (p.ex., “O Senhor me prometeu, agora eu quero o que é meu!”, "Eu reivindico aquilo que é meu!", "Quero que o Senhor me restitua o que me pertence!", etc.). Vários cânticos parecem sugerir que a gente agora subiu num tijolinho e, por causa de tal "conquista", passou a achar que tem o direito de ser prepotente para com o Eterno!


Confio plenamente na autonomia do Espírito para tornar vivo e frutífero até mesmo o que é seco e desprovido de teologia bíblico-histórica e relevante. Afinal, Deus é Deus, é livre e faz o que quer, como quer, onde quer, com quem quiser e, a rigor, faz tudo reverter para a Sua glória. Vejo, contudo, que este mesmo Deus também disse “Estou farto!” — como é confortante saber que até Deus encontra razões pra ficar “farto” de certas coisas relacionadas à adoração! —, dentre elas a questão das mãos que se levantam manchadas de sangue (leia-se Isaías 1:10-17!). A meu ver, esta analogia está quase sempre relacionada à indiferença, à omissão, à injustiça, à opressão, à falta de misericórdia para com o próximo, a ausência de disposição em perdoar dívidas, etc.


Quando a gente acessa uma canção de adoração, deveríamos não somente examinar nossas próprias mãos e motivos da alma, mas também observar que a história do movimento cristão se fez acompanhar de música cheia de conteúdo teológico degustante, saboroso e tragável. A teologia prática da música no culto não se dava ao puro entretenimento pessoal. Isto é, entrar no espírito da adoração e louvor nada tem a ver com embarcar num vagão de montanha russa do puro consumo de espiritualidade frenética que se volta apenas para o meu próprio prazer.


Entoar um hino ou um cântico não é uma questão de adentrar numa experiência de “disneylândia espiritual”, no qual eu escolho os brinquedos teológicos que mais me atraem pra depois dizer apenas, “Esse foi bom, emocionante, arrebatador, de tirar o fôlego!” Na espiritualidade, cantar para Deus e o sobre Seu Reino é mais holístico do que se tem concebido! Por vezes isso pode implicar conscientização, justiça, missão integral no mundo, e, mais que tudo, voz profética (reluto em usar a expressão “voz profética”, em razão das caricaturas que este termo ganhou em alguns contextos da prática da fé). Há algum tempo fiz uma poesia com um título simples — “Cantar e Cantar” —, na qual digo o seguinte:


Cantar a alegria,
Cantar a tristeza.
Cantar o prazer ou o desgosto,
Mesmo que lágrimas teimosas rolem no rosto.


Cantar por justiça,
Cantar por mudanças.
Cantar por amor ou por protesto,
Embora possa vir a ser sobre aquilo que detesto.


Cantar contra a pobreza,
Cantar contra a maldade.
Cantar contra o abuso e a opressão,
Porque cantar assim é também estender a mão.


Cantar além do refrão,
Cantar além da melodia.
Cantar além das palavras e dos gestos,
Para ver e saber que a vida não é feita de restos.


Cantar para o Eu Sou,
Cantar sobre o Alfa e Ômega.
Cantar pelo Paráclito todo o alfabeto,
Até que o meu canto se torne bem mais concreto.


As músicas que fizeram parte do repertório da minha formação e caminhada cristã ao longo dos anos, lançam e desafiam o todo do que sou à experiência da simplicidade, i.e., de uma espiritualidade não-soberba, não-fechada, não-exigente e não-consumista, mas desejosa de amar e servir mais e mais a Deus e ao seu Reino. Músicas de Asaph Borba, Wolô, Sérgio Pimenta, João Alexandre, Jorge Camargo, Guilherme Kerr, Jorge Rehder, Nelson Bomilcar, Carlinhos Veiga, Carlinhos Félix, Josué Rodrigues, Adhemar de Campos, Stênio Marcius, Glauber Plaça e do desconhecido Moair "Môa" Marques, pra citar apenas alguns compositores, desenharam minha caminhada cristã dos últimos 35 anos com riqueza, beleza e significado.


Dentre as mais recentes está Intimidade, com letra de Rubem Amorese, música de Toninho Zemuner, com a excelente interpretação de Kelen Franco Deggau. Intimidade gera na gente o tipo de espiritualidade desprovida de petulância pessoal, causa o desejo de uma entrega total e absoluta, constrói o caminho da simplicidade e profundeza na relação com o Pai. Sim, sem dúvida alguma há aqui uma escolha por estilo, mas não se trata somente disso. Trata-se, antes e acima de tudo, de escolha pelo espírito da música que, como outras, diz mais do que o que está na superfície deste vasto, inesgotável e inexplorável oceano de comunhão com o Eterno.


No meio da atual selva musical evangélica de "poesia rala", como diz Jorge Camargo, observo exceções como a música que citei acima e os compositores aos quais me referi. Nos últimos anos, tenho visto profetas sóbrios que também falam e cantam contra a igreja e seus delírios mercantilistas. E eles se levantam dos lugares mais inesperados e não-paradigmáticos que se possa imaginar. São pessoas simples, de coração apaixonado por Jesus, de mente criativa e cristalina, de raciocínio fino e elevado, e de lábios poético-proféticos afiados.


É gente que não abarrotou seus bolsos usando o dom divino e precioso da poesia e do canto. Profetas são assim mesmo. Jamais ficarão ricos, justamente porque são profetas. Eles não vendem a alma ao mercado religioso, nem se rendem à sedução dos ventos da prosperidade mórbida que nada tem a ver com a simplicidade do Jesus de Nazaré. Por esta razão, se vêem e se entendem na subversividade. "É uma tarefa subversiva", diz Jorge Camargo.

A meu ver, por exemplo, há artistas daquela que se pode chamar de "velha-guarda" protestante que hoje, pela simples observação da confusa e babélica "igreja brasileira" (sic), e de experiências com a impressionante fenomenologia desta, se tornaram nada menos que poetas-profetas. Sim, são
profetas-poetas daqueles que quase já não mais víamos no mosaico brasileiro. Profetas para os quais eu tiro o meu chapéu.


São poucos ainda, mas voltaram com força pra dar um tom corretivo à toda esta avacalhação perpetrada por setores da "igreja brasileira" (sic). Refiro-me ao tipo de cristandade que, em sua teologia e prática, nega a fé, adultera o evangelho do Reino, mercadeja e exclui suas essências, e solapa o cristianismo puro e simples.

Dentre estes novos-velhos poetas-profetas ressurgentes estão João Alexandre (com sua música É proibido pensar, dentre outras mais antigas), Jorge Camargo (com Letra morta) e alguns outros poucos e raros. Afinal, profetizar contra os descaminhos da Igreja é preciso, e tem seu preço! "O grande dilema vai ser a gente viver na contra-mão", diz Jorge Camargo. Entretanto, apesar das dores das rejeições advindas da experiência de andar na "contra mão" do mercado evangélico, como sole acontecer aos poetas-profetas, eles estão ajudando a "reformar a nação, particularmente a Igreja, e espalhar a santidade bíblica sobre a terra" (João Wesley).


LWS

luiswesley.blogspot.com

Quarta-feira, Junho 15, 2011

Memórias

Saudades são visitas que as memórias fazem à alma, e esta se encarrega de dizer pra onde queremos voltar, ainda que apenas pela via das lembranças. Memórias são tesouros que a gente sempre guarda, mas nunca às sete chaves! Elas são livres, surpreendentes. Voltam mesmo quando não são convidadas, e chegam com forças capazes de redimir, de nos devolver a vida e o significado. São inspiradoras, nostálgicas, atraentes, envolventes, apaziguadoras e afetuosas. Dizem não somente de onde viemos, mas também a respeito de quem somos.

LWS

Sexta-feira, Junho 10, 2011

Pregar Jesus


Um dos muitos agravantes dos púlpitos protestantes de hoje é que os pregadores intuem que é mais seguro pregar sobre Jesus do que pregar o que Jesus pregou. Pregar sobre Jesus é, com muita frequência, cativante para os pregadores em seu desejo de aceitação por parte dos ouvintes. Agora, pregar o que Jesus pregou é impopular, contra-cultural, demandante, subversivo, revolucionário, desafiador e, sendo assim, coloca a prêmio a cabeça de quem o faz, tanto no âmbito institucional quanto no relacional!

Afinal, pregar o que Jesus pregou não dá "ibope" e não atrai os que estão interessados apenas em consumir a fé em benefício próprio. Ao pregarem apenas sobre Jesus, os imaginários e representações dos pregadores viajam distantes da sólida consciência do Reino de Justiça. Falo do Reino a respeito do qual Jesus pregou, aquele que já é, mas ainda não. Falo do Reino que, dentre muitas outras coisas, chama ao arrependimento, à vida simples, à solidariedade, a sujar as mãos no serviço ao próximo, a dar água e comida ao que tem fome e sede, a hospedar o estrangeiro, a vestir o que está nu, a visitar o que está enfermo, a chorar ou rir com os que choram ou riem.

Pregar o que Jesus pregou implica, antes de tudo, caminhar na contra mão do tipo de mercantilização da fé que hoje caricaturiza, dissolve e esteriliza não somente os poderosos conteúdos do Evangelho trans-formador, como também mata o significado e a extensão do chamado ao ministério da Palavra enquanto voz profética.

LWS
Publicado em 18 de maio de 2010

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